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Empresário grava conversa, relata suposto repasse de 25% de contrato para Guto Silva e campanhas

  • Foto do escritor: Redação Mundo Polarizado
    Redação Mundo Polarizado
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Uma denúncia protocolada no Ministério Público do Paraná (MPPR) em 2022 aponta que Guto Silva (PSD), antigo titular da Secretaria das Cidades na gestão de Ratinho Jr, teria se beneficiado de um esquema de corrupção. Segundo as acusações, ele teria exigido 25% do montante de um contrato de R$ 3,8 milhões firmado em 2019 para a aquisição de simuladores virtuais de tiro destinados à Polícia Civil.


O caso tramita sob sigilo na Justiça. Contudo, na última quinta-feira (16 de abril), o colunista Lauro Jardim, de “O Globo”, revelou que o judiciário autorizou a quebra de sigilo bancário da Empresa Brasileira de Treinamento e Simulação Ltda (EBTS), companhia que saiu vitoriosa no processo licitatório.


O Globo obteve acesso à íntegra da denúncia, formalizada na cidade de Foz do Iguaçu em 23 de setembro de 2022. O material aponta que o pregão eletrônico 1133/2019 foi arquitetado em conjunto pela EBTS e pelo gabinete do governador. Naquela época, Guto Silva exercia o cargo de secretário-chefe da Casa Civil. As evidências foram levadas ao MPPR por Jonny Braga, antigo sócio da EBTS que tentava receber uma suposta dívida de R$ 4 milhões de Adolfo Jachinski Neto, proprietário da empresa, após ter sido excluído da sociedade.


Durante essas cobranças, em novembro de 2019, Braga gravou Jachinski admitindo que a vitória da EBTS na licitação já estava garantida, restando apenas definir com Guto Silva qual seria o valor da propina exigida.


Ao final, a licitação foi homologada em favor da EBTS por R$ 3.833.000. Nas gravações, Jachinski teria confessado o pagamento de 25% desse total a Guto Silva, detalhando que uma parcela da quantia seria desviada para financiar campanhas políticas. Para fins de comparação, a mesma empresa havia vencido um certame em Goiás para fornecer uma unidade móvel idêntica por um ano ao custo de R$ 1.602.000, enquanto no Paraná o mesmo serviço saiu por R$ 2.407.000. O valor total superior a R$ 3,8 milhões no estado paranaense foi atingido porque o pregão também incluiu a compra de um simulador fixo por R$ 1.426.000, autorizada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).


Por meio de nota oficial, Guto Silva se defendeu negando qualquer tipo de vínculo, sociedade ou mesmo conhecimento prévio a respeito do empresário Adolfo Jachinski Neto ou da EBTS:

“O político argumentou que a Sesp foi a única responsável por conduzir o pregão, não havendo qualquer interferência sua ou da Casa Civil. Ele classificou a denúncia como uma acusação antiga que já teria sido devidamente esclarecida em 2022, afirmando que os apontamentos não possuem embasamento factual ou respaldo dos órgãos de controle.”


Apesar da defesa, o processo licitatório foi alvo de duras críticas na época. Em 25 de novembro de 2019, a Sintres Simulação e Treinamento, uma empresa concorrente, protocolou um pedido de impugnação do pregão alegando que havia um claro e escancarado direcionamento para favorecer a EBTS.


O recurso argumentava que o termo de referência no edital era uma cópia exata do sistema desenvolvido pela empresa de Curitiba. A Sintres afirmou que foram inseridas exigências de programação irrelevantes para o uso prático, apenas para inviabilizar a participação de outras empresas, creditando essa manobra à influência política direta da Casa Civil. A concorrente denunciou ainda que o levantamento de preços foi forjado com o auxílio de firmas parceiras, citando nominalmente a Federal Defender, de Florianópolis, descrita como uma empresa de fundo de quintal sem capacidade técnica, que serviria apenas para inflar os orçamentos do conluio e posteriormente receber uma fatia dos lucros.


No dia seguinte, 26 de novembro de 2019, o pedido de impugnação foi sumariamente rejeitado pelo delegado-geral da Polícia Civil, Silvio Jacob Rockembach. A autoridade policial justificou que cabia exclusivamente ao Departamento da Polícia Civil definir quais eram as necessidades técnicas para os treinamentos táticos de seus agentes. Rockembach rebateu todas as acusações de favorecimento e interferência política, classificando as alegações da concorrente como infundadas e desrespeitosas, e declarou que elas seriam ignoradas por desviarem do propósito de apontar irregularidades legítimas no edital.


A reportagem de “O Globo” trouxe à tona que a quebra de sigilo aprovada pela Justiça abrange o período de abril de 2020 a fevereiro de 2021, afetando tanto as contas da EBTS quanto as de Adolfo Jachinski Neto. O despacho do juiz Leandro Campos destaca que as interceptações contêm diálogos citando membros da cúpula do governo estadual da época, especificamente Guto Silva e Rômulo Marinho Soares (ex-secretário de Segurança Pública). O magistrado também mencionou referências genéricas a repasses para terceiros com foco em financiamento eleitoral.


Em um dos áudios captados, Jachinski se refere a Guto Silva como o braço direito do governador Ratinho Jr, alegando que o ex-secretário tinha domínio sobre a segurança, o Detran e a Celepar. Na gravação, o empresário justifica o suposto esquema como a única maneira de conseguir os contratos. Posteriormente, em depoimento formal, Jachinski se defendeu dizendo que inventou essa história de influência no governo apenas para fazer com que seu ex-sócio desistisse de lhe cobrar a dívida.


No campo político, o cenário de Guto Silva sofreu reviravoltas recentes. Ele era tido como o nome favorito de Ratinho Jr para a disputa ao Governo do Paraná nas eleições deste ano pelo PSD. Para viabilizar a candidatura, ele se desincompatibilizou da Secretaria das Cidades, cargo que comandava desde o início de 2023. No entanto, em uma reunião na semana anterior, Guto teria sido avisado de que não seria mais o escolhido para o pleito, vaga que acabou direcionada ao deputado federal e ex-secretário de Infraestrutura, Sandro Alex.



© Desde 2021 por Mundo Polarizado. 

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